Estados Unidos anunciaram na noite de hoje que imporão novas tarifas de 25% sobre produtos importados do Brasil. A taxa é resultado de uma investigação comercial contra o país conduzida pelo USTR (sigla em inglês para Representante Comercial dos EUA) há um ano, por ordem do presidente norte-americano Donald Trump. A decisão entrará em vigor em 22 de julho sobre itens que não estejam na lista de exceções do órgão.
Na prática, a nova tarifa deve atingir menos de 20% de tudo o que o Brasil vende aos norte-americanos. Não são afetados produtos brasileiros como aeronaves, carne bovina, suco de laranja e café em grãos, que teriam forte impacto inflacionário sobre a economia norte-americana.
O tarifaço já era esperado, ainda mais depois da última reunião entre o titular do USTR, Jamieson Greer, e integrantes do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), do MRE (Ministério das Relações Exteriores) e da Assessoria Especial do Presidente da República. Na conversa, no fim do dia de ontem, Greer indicou que viria um anúncio de taxa hoje e afirmou, segundo relato sob reserva de um dos participantes, que “estamos [Brasil] muito distantes do que eles desejam” em termos de negociação.
Pouco antes do anúncio formal, um alto funcionário do governo Trump afirmou que ainda há espaço para a negociação, mas criticou a condução do assunto pelo governo brasileiro até agora. “Não sei qual é o cronograma para as negociações. Essa é uma área em que temos sido muito francos com os brasileiros. Reiterando: apresentamos várias propostas e diversos caminhos para uma solução. Durante muitos e muitos meses, houve pouquíssimo engajamento, e só recentemente vimos uma participação e um envolvimento realmente significativos. Portanto, cabe ao governo brasileiro decidir como resolver algumas dessas questões”, afirmou este membro da gestão Trump, sob reserva. Ele afirmou que nas últimas semanas, porém, as reuniões foram “construtivas”.
Segundo negociadores do Brasil ouvidos pelo UOL, a administração de Donald Trump não deixou claros seus pleitos em nenhuma das cinco reuniões que integrantes do governo Lula tiveram com Greer desde o último 7 de maio, quando os dois presidentes se encontraram na Casa Branca e determinaram que suas equipes trabalhassem em busca de um acordo.
Entre as reclamações formais dos EUA estavam questões como o desmatamento, decisões do STF sobre big techs, o serviço de pagamentos Pix e acordos comerciais com países terceiros (especialmente México e Índia).
Carnes estão isentas
A taxação deixará de fora laranja, suco de laranja, carne, café, petróleo e gás, além de peças e componentes aeroespaciais. Todos esses são produtos importantes da pauta de exportações brasileiras para os EUA. Um alto funcionário da Casa Branca explicou que, no caso da carne, o objetivo é garantir o abastecimento do mercado americano.
Com informações dos portais UOL e O Globo





