A Associação dos Criadores de Nelore de Mato Grosso do Sul (Nelore-MS), por meio de seu presidente, Paulo Matos, recebe com preocupação o anúncio da União Europeia sobre possíveis restrições à importação da carne brasileira. O tema deve ser tratado com seriedade, responsabilidade técnica e equilíbrio.

O Brasil possui um dos maiores e mais eficientes sistemas de produção de proteína animal do mundo. Nas últimas décadas, a pecuária brasileira avançou significativamente em genética, sanidade, rastreabilidade, sustentabilidade e produtividade, atendendo mercados altamente exigentes em diversos continentes, inclusive países com rígidos protocolos sanitários e controles de qualidade.

A Nelore-MS defende permanentemente a evolução da rastreabilidade do rebanho brasileiro, entendendo que o futuro da pecuária mundial passa cada vez mais por transparência, controle sanitário, tecnologia e segurança alimentar. O produtor rural brasileiro está disposto a avançar e já realiza investimentos importantes nesse processo.

Entretanto, é fundamental destacar que a implantação de sistemas amplos e eficientes de rastreabilidade exige apoio do poder público, integração institucional, segurança jurídica e políticas que permitam ao produtor absorver esses custos sem comprometer sua competitividade. Não é possível transferir toda essa responsabilidade exclusivamente para quem produz.

Também é importante reconhecer os avanços já conquistados pelo Brasil. O país possui um dos maiores programas de sanidade animal do mundo, resultado de décadas de investimentos em controle sanitário, vigilância epidemiológica e aperfeiçoamento dos protocolos produtivos. Além disso, a pecuária brasileira evoluiu de forma consistente em sustentabilidade, integração de sistemas produtivos, recuperação de pastagens, eficiência alimentar e redução de impactos ambientais.

A Nelore-MS respeita o direito de cada mercado estabelecer suas regras sanitárias. Porém, considera necessário destacar que, muitas vezes, determinadas exigências ultrapassam a esfera técnica e acabam se transformando em barreiras comerciais à competitividade do agro brasileiro.

A carne brasileira é uma das mais competitivas do mundo porque o produtor rural brasileiro produz com eficiência, tecnologia e capacidade de escala. Isso naturalmente impacta mercados que possuem custos mais elevados e menor competitividade internacional.

Cabe destacar ainda que, embora a União Europeia represente uma parcela importante das exportações brasileiras, especialmente em cortes premium, ela está longe de ser o principal destino da carne nacional. O mercado mundial reconhece a qualidade da proteína brasileira, e o Brasil ocupa posição estratégica no abastecimento global de alimentos.

O produtor rural brasileiro não pode continuar sendo tratado como vilão ambiental ou sanitário enquanto sustenta uma das cadeias produtivas mais relevantes da economia nacional. O agro gera empregos, movimenta a indústria, impulsiona o comércio, fomenta investimentos em máquinas, veículos e tecnologia, além de fortalecer centenas de municípios brasileiros.

A Nelore-MS defende o aperfeiçoamento constante dos protocolos sanitários e da rastreabilidade, por entender que isso fortalece ainda mais a credibilidade internacional da pecuária brasileira. Mas também defende respeito ao produtor brasileiro, à soberania produtiva nacional, ao direito de propriedade e à livre concorrência no comércio internacional.

O mundo precisa de alimentos, e o Brasil continuará sendo protagonista nessa missão.

Paulo Matos
Presidente da Associação dos Criadores de Nelore de Mato Grosso do Sul – Nelore-MS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui