Em cerimônia realizada neste sábado, governador Eduardo Riedel e lideranças do setor produtivo destacaram a importância do melhoramento genético, da industrialização e da conquista de novos mercados para ampliar a competitividade da carne sul-mato-grossense
Campo Grande foi palco, na noite deste sábado (31), da abertura oficial da terceira edição da Expogenética MS 2026. A solenidade, realizada no Parque de Exposições Laucídio Coelho, reuniu o governador Eduardo Riedel, representantes da indústria, lideranças do agronegócio, criadores e produtores rurais em torno de uma pauta estratégica para o desenvolvimento econômico do Estado: o futuro da pecuária de corte e sua inserção cada vez mais competitiva no mercado internacional.
Promovida pela Associação Sul-Mato-Grossense dos Criadores de Nelore (Nelore-MS), com apoio da Acrissul, a exposição tem expectativa de movimentar mais de R$ 200 milhões em negócios ao longo de seus 11 dias de programação, que começou em 29 de outubro e segue até 8 de novembro.
Durante a cerimônia, o governador Eduardo Riedel ressaltou que a genética bovina é um dos principais ativos de Mato Grosso do Sul na produção de proteína animal. Para ele, o desenvolvimento da pecuária está diretamente relacionado à capacidade de produzir carne de qualidade, com escala e competitividade para atender às exigências dos diferentes mercados consumidores.
“Um dos grandes ativos que Mato Grosso do Sul tem é a proteína animal, carne bovina, exportando para o mundo inteiro. E a genética do gado Nelore faz parte desse processo, dessa base de produção”, afirmou.
Riedel também chamou a atenção para as transformações no cenário internacional, marcado por mudanças nas relações comerciais, volatilidade de preços e reorganização dos blocos econômicos. Apesar dos desafios, destacou a capacidade brasileira de produzir alimentos e a importância de continuar avançando na industrialização da produção agropecuária.
Parceria robusta
Em seu discurso o presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), Guilherme Bumlai, reforçou a consolidação da parceria da entidade com a Nelore-MS, propondo futuramente a anexação da Expogenética MS com o Festival Internacional da Carne, pelos objetivos comuns que as duas feiras têm. Bumlai ressaltou a valorização da arroba no mercado, principalmente diante da grande demanda global e da queda da produção em países produtores importantes, como os Estados Unidos.
“Quero aqui parabenizar o Paulo Matos e toda a organização desta feira, que não se faz sem o apoio do Governo do Estado e de todas as instituições envolvidas”, ressaltou Bumlai, destacando a importância da ainda recente declaração, por organismo internacional, de Mato Grosso do Sul como Estado livre de aftosa sem vacinação.
Indústria e campo precisam caminhar juntos
A integração entre pecuária e indústria foi outro ponto de destaque da solenidade. Representando a Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), o vice-presidente Crosara Júnior defendeu que o melhoramento genético realizado nas propriedades rurais precisa estar conectado à capacidade industrial de transformar a matéria-prima em produtos de maior valor agregado.
“Venho trazer uma mensagem da indústria para quem está no campo: nós precisamos caminhar cada vez mais juntos”, declarou.
O dirigente apresentou números que demonstram o potencial da industrialização para a economia estadual. Segundo os dados mencionados por ele, a atividade agropecuária gerou R$ 81 bilhões em Mato Grosso do Sul em 2023. Com o processamento e a industrialização, esse valor alcançou R$ 139,6 bilhões.
Crosara também apontou países como Japão e Coreia do Sul entre os mercados estratégicos para a expansão das exportações brasileiras de carne bovina. Na avaliação da Fiems, a qualidade genética dos animais, associada à tecnologia industrial, permite ampliar a competitividade e conquistar novos compradores.
Melhoramento genético e gestão como pilares da produtividade
O superintendente do Senar-MS, Lucas Galvan, destacou a importância da escolha de bons animais e do melhoramento genético para o desenvolvimento da pecuária.
Segundo ele, a evolução dos rebanhos depende também da disseminação de conhecimento técnico e da capacitação dos produtores para melhorar os resultados dentro das propriedades.
Galvan chamou a atenção ainda para a necessidade de planejamento financeiro em um momento de valorização da arroba do boi. Para ele, a gestão de custos deve ser prioridade independentemente do momento vivido pelo mercado.
A orientação é que os pecuaristas aproveitem os períodos favoráveis sem perder de vista os custos de reposição, alimentação e demais despesas da atividade, preparando-se também para eventuais mudanças no ciclo pecuário.
Nelore-MS destaca desafios que vão além da porteira
O presidente da Nelore-MS, Paulo Matos, ressaltou que a pecuária brasileira alcançou posição de destaque internacional graças aos investimentos em genética e melhoramento dos rebanhos, mas que a manutenção dessa competitividade exige atenção a fatores que ultrapassam os limites das propriedades rurais.
Com o tema “Da porteira para dentro, da porteira para fora: quais são os desafios da pecuária para o futuro”, a Expogenética propõe ampliar o debate sobre mercado, relações comerciais, rastreabilidade, sanidade, tributação, endividamento e sucessão familiar.
Matos defendeu maior participação dos produtores nas discussões institucionais e nas decisões que envolvem o comércio internacional.
“Precisamos falar com os nossos parlamentares, com os nossos governantes, com os órgãos institucionais que cuidam dessas relações diplomáticas e comerciais para que a gente não perca o que nós conquistamos até agora”, afirmou.
O dirigente também destacou as oportunidades representadas pela demanda internacional por carne bovina, especialmente nos mercados asiático e do Oriente Médio.
Uma vitrine da pecuária brasileira
Além da solenidade de abertura, a Expogenética MS 2026 reúne criadores de diferentes regiões do Brasil, animais de alto padrão genético, leilões, julgamentos e palestras técnicas.
A programação inclui a abertura do Ranking Nacional da Raça Nelore 2026/2027, com avaliações das variedades Nelore, Nelore Mocho e Nelore Pelagens, entre os dias 3 e 6 de novembro.
A expectativa da organização é que o encontro fortaleça o intercâmbio entre criadores, produtores, técnicos e empresas, ampliando o acesso à tecnologia e às oportunidades comerciais.
Com a participação de representantes do poder público, da indústria e das entidades do setor produtivo, a abertura oficial deixou uma mensagem clara: o futuro da pecuária sul-mato-grossense depende não apenas de produzir mais, mas de produzir melhor, agregar valor e conquistar espaço em mercados cada vez mais exigentes.
A Expogenética MS segue até 8 de novembro, no Parque de Exposições Laucídio Coelho, consolidando Campo Grande como ponto de encontro da genética bovina, dos negócios e das discussões sobre os rumos do agronegócio brasileiro.





