Já nas propriedades de cria que utilizam genética melhoradora, mas não realizam seleção própria, o momento favorável costuma estimular a ampliação da base de matrizes, aumentando o volume total investido, ainda que o nível tecnológico permaneça estável.

Os investimentos mais sensíveis na fase de alta do ciclo estão ligados à estrutura produtiva e ao manejo. Com maior previsibilidade de receita, os produtores tendem a direcionar recursos para reforma e intensificação de pastagens, melhoria das instalações, aquisição de máquinas e fortalecimento do controle zootécnico.

Do ponto de vista estratégico, entretanto, o ideal é que esses investimentos sejam realizados ainda na fase de baixa do ciclo, quando os custos relativos são menores e há maior margem para ajustes estruturais. Produtores que não se prepararam antecipadamente podem enfrentar limitações produtivas justamente no momento em que os preços oferecem maior oportunidade de captura de margem.

Nos sistemas de recria e engorda, a adoção de tecnologia ocorre, sobretudo, como estratégia de eficiência.

“A valorização dos animais de reposição pressiona as margens e estimula investimentos voltados à redução da idade ao abate, ao uso mais preciso da suplementação e à melhoria da gestão econômica, não como expansão, mas como mitigação de risco”, afirma Guidolin.

Em determinadas realidades produtivas, especialmente em sistemas de recria, outra estratégia possível é a ampliação gradual do estoque de animais. Embora os preços da reposição já estejam valorizados, a expectativa de maior restrição de oferta nos próximos anos pode sustentar novas altas ao longo de 2026 e 2027.

Nesse contexto, a aquisição escalonada de animais de diferentes idades pode ser uma alternativa para equilibrar fluxo de caixa e exposição ao ciclo. Lotes com giro mais rápido contribuem para liquidez no curto prazo, enquanto categorias mais jovens permitem capturar movimentos mais prolongados de valorização.

Essa decisão, contudo, exige capital de giro adequado, planejamento forrageiro compatível e gestão criteriosa de risco. A ampliação de estoque sem base estrutural sólida pode transformar uma oportunidade de mercado em aumento de vulnerabilidade produtiva e financeira.

Mais do que responder a um momento favorável de preços, a fase de alta do ciclo pecuário exige decisões estruturantes. O planejamento realizado em 2026 terá impacto direto sobre a capacidade do produtor de capturar os ganhos esperados nos próximos anos e de atravessar, com menor vulnerabilidade, a futura fase de baixa.

Em um cenário de mercado mais firme, mas ainda em consolidação, a combinação entre leitura de mercado, gestão eficiente e decisões técnicas bem fundamentadas será determinante para a sustentabilidade da atividade pecuária no médio e longo prazo.

Assessoria de Imprensa do Sistema Famasul – Ana Palma

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