A Associação Sul-Mato-Grossense dos Criadores de Nelore (Nelore-MS) manifesta-se oficialmente sobre a decisão do governo dos Estados Unidos, anunciada no dia 20 de novembro, de retirar a taxação adicional aplicada à carne bovina brasileira.

A medida confirma aquilo que a Nelore-MS já havia alertado desde o início: a tarifa tinha impacto limitado sobre a pecuária brasileira e atingia mais o mercado consumidor americano do que os produtores do Brasil. Além disso, ocorreu em um momento em que o Brasil registra recordes consecutivos de exportação, tanto em volume embarcado quanto em preço médio da carne exportada — evidência da robustez e competitividade da pecuária nacional.

Segundo o presidente da entidade, Paulo Matos, os fundamentos técnicos sempre indicaram que o efeito da taxação era superdimensionado por alguns agentes do mercado interno.
“Desde o primeiro dia deixamos claro: os EUA compram apenas 8% da carne que o Brasil exporta, o equivalente a 2,3% da nossa produção. Quem sofreria com hambúrguer mais caro seriam os consumidores americanos, não os produtores brasileiros. A retirada da tarifa apenas confirma isso”, enfatiza Matos.

A Nelore-MS reforça que o volume importado pelos Estados Unidos é pequeno demais para provocar qualquer desajuste relevante no mercado brasileiro, seja em oferta interna ou na formação de preços. Trata-se de um mercado importante, mas que não tem peso suficiente para alterar a dinâmica da arroba no país.

Impacto maior nos EUA do que no Brasil

Para a entidade, a revogação da tarifa demonstra que o próprio mercado americano reconheceu o caráter contraproducente da medida, que encarecia insumos industriais essenciais — principalmente carne desossada congelada usada pela indústria de hambúrguer.
“A conta voltou para onde sempre dissemos que iria: para o consumidor americano. A pressão interna lá foi maior do que qualquer impacto sentido aqui”, afirma o presidente.

Quem tem capturado os lucros: varejo e exportadores, não o produtor

Mesmo com o Brasil batendo recordes de exportação e com a demanda global por proteína bovina em alta, o produtor rural não tem sido o beneficiado.
O momento é excepcional para o mercado internacional, com preços historicamente elevados, mas quem tem capturado a maior parte desses ganhos é o varejo e o setor exportador.

Na outra ponta, o produtor segue enfrentando margens apertadas, custos crescentes e volatilidades que não refletem a realidade positiva do mercado global.
“Enquanto o varejo ganha mais e o exportador amplia margens com preços recordes, o produtor fica com o prejuízo causado por movimentos especulativos no mercado interno. E isso é inaceitável”, destaca Matos.

O produtor faz sua parte: qualidade, sustentabilidade e eficiência

A Nelore-MS reforça que os pecuaristas brasileiros têm feito a sua lição de casa:

produzem com alto padrão de qualidade,

seguem rigorosos critérios de sustentabilidade,

investem em genética, tecnologia, manejo e eficiência,

e são responsáveis diretos pelo protagonismo do Brasil no fornecimento de proteína ao mundo.

“Somos nós, produtores, que assumimos o risco, financiamos a atividade, geramos emprego, cuidamos do meio ambiente e mantemos o Brasil como potência mundial. Nada justifica que sejamos os únicos a absorver prejuízos em um momento global tão favorável”, reforça o presidente.

Posicionamento firme em defesa do produtor

A Nelore-MS continuará atuando de forma técnica e transparente, denunciando sempre que medidas externas forem utilizadas como justificativa para desvalorizar o boi brasileiro.
“A retirada da taxa mostra que nossa análise estava correta e que a pecuária brasileira segue firme, sólida e competitiva. O produtor não pode ser o amortecedor de disputas comerciais internacionais”, declara Matos.

Compromisso permanente

A entidade seguirá acompanhando o cenário internacional, em articulação com instituições nacionais e o Itamaraty, para garantir que o pecuarista brasileiro não seja prejudicado por distorções de mercado ou interpretações indevidas de fatos econômicos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui